Querida Piacatu de minha infância,
Só as saudades de ti guardo comigo,
Daquelas vielas sem asfaltos
E aquele povo acolhedor, amigo,
Onde todos a todos se conheciam,
Ruas tranqüilas quase sem perigo,
A solidariedade de um amor fraterno,
Fazia a paz daquele povo unido.
Pacata Piacatu, de pacatos cidadãos,
Transporte coletivo a jardineira,
Serviço de táxis, as charretes,
Que assim rodavam a cidade inteira,
O preferido seu Braz, o charreteiro,
Alma tranqüila, tipo à brasileira,
Às vezes acordava ao som da buzina,
Quando cochilava em sua cadeira.
Seu Ostílio o soldado da vila,
O delegado o seu Valdevino,
Homens valentes defendendo a lei,
Mas dentro do peito um coração menino,
Seu Laurindo e seu Manoel, os repentistas
O embolador maluco, seu Faustino,
Esse engraçado, os dois no improviso,
Versos com almas e estilo nordestino.
Seu Anito tinha um velho caminhão,
Não lembro se era ford o GMC,
A sua partida era à manivela,
Fazia o motor roncar ou gemer,
Lotado de lenha ou de outras cargas,
Pelas redondezas sempre a percorrer,
Fazer fretes era o seu ganha-pão,
E nunca faltava viagem a fazer.
Tinha ele também u carro de bois,
Com uma junta de bois mansos e ensinados,
Gemia o eixo a ranger nos cocões,
Ao subir ladeiras o carro lotado,
Belos calhambeques dos anos cinqüenta,
Passavam por ele o deixando empoeirado
E o seu Anito falando com os bois,
Seguia sua estrada em passos marcados.
Lembro-me dos dois irmãos japoneses,
Que eram o Cedeó e o Takaxi,
Lá meus pais e irmão colhiam amendoim,
Eu catando baens, que muito comi,
Meu iniamigo o Jaime, brigava ou brigava,
De mal ou de bem, não o esqueci,
Mesmo estando hoje tudo diferente,
Gostaria muito de voltar ali.
Comprávamos fiado no armazém do Gregório,
Seu Anito,seu Artur, seu Laurindo e outros bons vizinhos,
O velho Baixinho,contador de estórias,
Joãozinho seu filho, nosso amiguinho,
Brincávamos de roda, salva, ou pique-esconde,
Ou ouvíamos estórias do velho Baixinho,
Da bela Piacatu de minha infância.
São tantas lembranças que as guaardo com carinho.
domingo, 25 de novembro de 2012
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
TREM DESCARRILADO
Eu hoje
que por já ter alguns quilômetros rodados,
Às
vezes fico parado pensando no que vai ser,
Pois
fico sem entender e bastante preocupado
Pasmo,
bastante abismado, vendo tudo acontecer,
Pois no
meu modo de ver, é como um trem descarrilhado,
Que nós
estamos embarcados não tendo o que fazer,
Até
mesmo sem saber qual o destino traçado,
Sem
maquinista o danado, fora dos trilhos a correr.
E assim
fora dos trilhos e sem conseguir frear,
Segue
em frente sem parar, sem rumo, sem luz, sem brilho,...
A
vaidade no gatilho e o tempo a apertar,
O
orgulho quer comandar, pois da vaidade é filho,
Diz o
egoísmo não partilho, o excedente vou guardar,
Pra
tudo depositar, estou construindo silos.
Comprarei
isso e aquilo, muito mais quero comprar,
Comprando
sem precisar, pois consumir é o novo estilo.
E assim
segue girando esse enorme carrossel,
Um
brinquedo tão cruel que os valores vão trocando,
Uns
sorrindo, outros chorando pelo destino cruel,
Pra uns
é favo de mel a vida que estão levando
E outros
vivem chorando, num amargor que é só fel,
Vivendo
de del em del e sem saber até quando,
Às
vezes só esperando a recompensa do céu,
Pois os
verdadeiros réus, de inocentes estão pousando.
Da
maldade, os professores ensinam com tanto afinco
E assim
nesse labirinto de inversão de valores,
Sem
medos e sem temores, dando vazão ao instinto,
Os
prazeres mais distintos os buscamos sem pudores,
Quem
planta espinhos e quer flores, é assim que vejo e sinto,
Falo a
verdade, não minto, não ouvimos os clamores,
De quem
sofre os horrores, digo mais pra ser sucinto,
De Deus
estamos famintos e obesos de desamores,
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