domingo, 25 de novembro de 2012

QUERIDA PIACATU DA MINHA INFÂNCIA

Querida Piacatu de minha infância,
Só as saudades de ti guardo comigo,
Daquelas vielas sem asfaltos
E aquele povo acolhedor, amigo,
Onde todos a todos se conheciam,
Ruas tranqüilas quase sem perigo,
A solidariedade de um amor fraterno,
Fazia a paz daquele povo unido.

Pacata Piacatu, de pacatos cidadãos,
Transporte coletivo a jardineira,
Serviço de táxis, as charretes,
Que assim rodavam a cidade inteira,
O preferido seu Braz, o charreteiro,
Alma tranqüila, tipo à brasileira,
Às vezes acordava ao som da buzina,
Quando cochilava em sua cadeira.

Seu Ostílio o soldado da vila,
O delegado o seu Valdevino,
Homens valentes defendendo a lei,
Mas dentro do peito um coração menino,
Seu Laurindo e seu Manoel, os repentistas
O embolador maluco, seu Faustino,
Esse engraçado, os dois no improviso,
Versos com almas e estilo nordestino.

Seu Anito tinha um velho caminhão,
Não lembro se era ford o GMC,
A sua partida era à manivela,
Fazia o motor roncar ou gemer,
Lotado de lenha ou de outras cargas,
Pelas redondezas sempre a percorrer,
Fazer fretes era o seu ganha-pão,
E nunca faltava viagem a fazer.

Tinha ele também u carro de bois,
Com uma junta de bois mansos e ensinados,
Gemia o eixo a ranger nos cocões,
Ao subir ladeiras o carro lotado,
Belos calhambeques dos anos cinqüenta,
Passavam por ele o deixando empoeirado
E o seu Anito falando com os bois,
Seguia sua estrada em passos marcados.

Lembro-me dos dois irmãos japoneses,
Que eram o Cedeó e o Takaxi,
Lá meus pais e irmão colhiam amendoim,
Eu catando baens, que muito comi,
Meu iniamigo o Jaime, brigava ou brigava,
De mal ou de bem, não o esqueci,
Mesmo estando hoje tudo diferente,
Gostaria muito de voltar ali.

Comprávamos fiado no armazém do Gregório,
Seu Anito,seu Artur, seu Laurindo e outros bons vizinhos,
O velho Baixinho,contador de estórias,
Joãozinho seu filho, nosso amiguinho,
Brincávamos de roda, salva, ou pique-esconde,
Ou ouvíamos estórias do velho Baixinho,
Da bela Piacatu de minha infância.
São tantas lembranças que as guaardo com carinho.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

TREM DESCARRILADO


Eu hoje que por já ter alguns quilômetros rodados,

Às vezes fico parado pensando no que vai ser,

Pois fico sem entender e bastante preocupado

Pasmo, bastante abismado, vendo tudo acontecer,

Pois no meu modo de ver, é como um trem descarrilhado,

Que nós estamos embarcados não tendo o que fazer,

Até mesmo sem saber qual o destino traçado,

Sem maquinista o danado, fora dos trilhos a correr.

 

E assim fora dos trilhos e sem conseguir frear,

Segue em frente sem parar, sem rumo, sem luz, sem brilho,...

A vaidade no gatilho e o tempo a apertar,

O orgulho quer comandar, pois da vaidade é filho,

Diz o egoísmo não partilho, o excedente vou guardar,

Pra tudo depositar, estou construindo silos.

Comprarei isso e aquilo, muito mais quero comprar,

Comprando sem precisar, pois consumir é o novo estilo.

 

E assim segue girando esse enorme carrossel,

Um brinquedo tão cruel que os valores vão trocando,

Uns sorrindo, outros chorando pelo destino cruel,

Pra uns é favo de mel a vida que estão levando

E outros vivem chorando, num amargor que é só fel,

Vivendo de del em del e sem saber até quando,

Às vezes só esperando a recompensa do céu,

Pois os verdadeiros réus, de inocentes estão pousando.

 

Da maldade, os professores ensinam com tanto afinco

E assim nesse labirinto de inversão de valores,

Sem medos e sem temores, dando vazão ao instinto,

Os prazeres mais distintos os buscamos sem pudores,

Quem planta espinhos e quer flores, é assim que vejo e sinto,

Falo a verdade, não minto, não ouvimos os clamores,

De quem sofre os horrores, digo mais pra ser sucinto,

De Deus estamos famintos e obesos de desamores,

 

 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

PAI PRESENTE

DRª AUGUSTA E A EQUIPE DE SERVIDORES DESTE PROJETO

quinta-feira, 17 de junho de 2010

quinta-feira, 27 de maio de 2010

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O CARA DO ESPELHO

O cara do espelho,
Tão triste calado,
Diz-me diz sem palavras.
Com olhos opacos,
Sem luz e sem brilho,
Onde está você?
Que não vem me ver,
Não fala comigo,
Não encontra tempo,
Pra me olhar nos olhos,
Saber como estou,
Se eu fico ou se vou,
Pra lá, ou pra cá...
E eu só respondo,
Com um gesto de ombros,
O que vou fazer?
Se a vida é correr,
Pra aqui e pra ali,
É muito sair,
É pouco chegar.
Vida é movimento,
Correr contra o tempo,
E nunca parar.
Pois vivo correndo,
Até mesmo de mim.
Aí vem novamente
O cara do espelho
Com olhos vermelhos,
A quem eu só vejo
Ao pentear os cabelos
E ainda correndo
E ele dizendo:
Meu Deus! Até quando,
Ficar implorando,
Um minuto pra mim?
Pois a vida é assim,
Trabalho em excesso,
Dinheiro escasso,
Sem muito sucesso,
Fugir do fracasso.
É o supermercado,
É a água, é a luz,
Que a vida conduz,
À loucura total.
E assim, afinal,
O cara do espelho
Fica pra depois.
Pra quando eu não sei.
Pois a vida é externa,
Pressões sociais,
Que a gente não mais
Consegue parar
E na vida pensar,
Viver e conviver.
Sem razão de ser,
Pois tempo não há,
Pra vida curtir,
Amar, sentir,
Sorrir e brincar,
Assim se voltar,
Um pouco mais notar
E valorizar,
O cara do espelho...

sexta-feira, 14 de maio de 2010

PALAVRAS HOMÓGRAFAS

Minha sábia mãe dizia

Eu ficava a iscuitá

Você sabia que eu sabia

Que o sabiá sabia subiá